SP e RJ têm os menores índices de eleitores adolescentes do país e isso pode cair na sua redação
Uma pesquisa do Unicef com dados do TSE revelou que a parcela de eleitores adolescentes nos maiores estados são as menores do país.


Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que São Paulo e Rio de Janeiro registram os menores percentuais de jovens entre 16 e 17 anos alistados como eleitores no país. O voto é facultativo nessa faixa etária, mas o baixo engajamento chama atenção justamente nos dois estados mais populosos do Brasil.
Em um ano eleitoral, esse dado ganha ainda mais relevância: ele revela um distanciamento entre a juventude urbana e o sistema político, e abre um debate urgente sobre cidadania, participação e democracia.
O voto facultativo existe justamente para que o jovem possa exercer sua cidadania antes mesmo dos 18 anos, mas poucos aproveitam essa oportunidade nos maiores centros urbanos do país.
Bora entender mais sobre isso?
Por que o voto de adolescentes é facultativo?
No Brasil, o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para todos os cidadãos a partir dos 18 anos (com exceção dos analfabetos e dos maiores de 70 anos, para quem também é facultativo). Para os jovens de 16 e 17 anos, a Constituição Federal de 1988 estabelece o voto como opcional.
Essa foi uma conquista democrática importante: ao garantir o direito de voto a partir dos 16 anos, mesmo que sem obrigatoriedade, o Brasil reconheceu que adolescentes têm opiniões, são afetados por decisões políticas e merecem ter voz nas urnas antes mesmo de completar a maioridade civil.
O Brasil é um dos poucos países da América Latina que adota esse modelo. Mas o direito existe no papel: na prática, grande parte dos jovens não se alista. E os dados mostram que esse problema é especialmente grave nos dois estados mais populosos e urbanizados do país.
O contraste entre regiões surpreende
O que os dados do TSE e do Unicef revelam é uma divisão regional muito clara no engajamento eleitoral dos adolescentes brasileiros.
No topo do ranking estão estados das regiões Norte e Nordeste. Rondônia lidera com 40,4% dos adolescentes alistados, seguida por Tocantins (39,2%) e Piauí (36,7%). Esses estados têm populações menores, mas uma proporção muito maior de jovens com título de eleitor.
Na outra ponta, além de RJ e SP, aparecem o Distrito Federal (12,1%), o Espírito Santo (14,4%) e o Rio Grande do Sul (14,5%), todos estados mais urbanizados e com maior renda per capita.
O padrão é curioso: os estados historicamente mais ricos e com melhores indicadores educacionais são justamente os que menos engajam seus jovens eleitoralmente. Segundo o Unicef, o maior envolvimento político dos adolescentes no Norte e Nordeste pode estar ligado à participação mais ativa dos jovens em decisões comunitárias e no mercado de trabalho nessas regiões, onde a política local tem impacto mais direto e visível no cotidiano.
Por que SP e RJ ficam tão abaixo?
Não há uma resposta única, mas pesquisadores e especialistas em ciência política apontam alguns fatores que ajudam a entender esse cenário:
Descrença nas instituições
Em grandes centros urbanos, o contato dos jovens com a política muitas vezes se dá através de escândalos, corrupção e sensação de distância entre o eleito e o eleitor. Essa percepção alimenta a ideia de que “meu voto não muda nada”, especialmente entre adolescentes que ainda não desenvolveram uma visão política consolidada.
Distância entre política e cotidiano
Em estados como SP e RJ, a vida urbana é mais fragmentada e individualizada. O jovem de uma metrópole tem menos contato com a política local do que o jovem de uma cidade pequena do interior do Piauí, onde uma decisão da câmara municipal pode afetar diretamente sua rua, sua escola ou seu bairro.
Falta de educação política nas escolas
O sistema educacional brasileiro historicamente dá pouco espaço para a formação cívica. Muitos jovens chegam aos 16 anos sem saber que podem votar, sem conhecer o funcionamento das eleições e sem entender por que o título de eleitor importa.
Variação por tipo de eleição
Os dados históricos do TSE mostram que a participação dos adolescentes oscila conforme o tipo de eleição. Em 2022, ano de eleições presidenciais (com maior cobertura midiática e polarização política), mais de 2 milhões de jovens de 16 e 17 anos tiraram o título, o equivalente a 34% dos aptos. Esse número caiu drasticamente nas eleições municipais de 2024. Para 2026, com eleições gerais novamente, o índice atual de 20,3% representa um ponto de partida, mas ainda bem abaixo do registrado em 2022.
O que está sendo feito para mudar esse cenário?
Diante dos dados preocupantes, o Unicef lançou em abril de 2026 uma campanha nacional em parceria com o TSE para mobilizar adolescentes antes do prazo de 6 de maio. A iniciativa aposta em linguagem das redes sociais, ações em escolas e na imprensa, com a proposta de que os próprios jovens liderem o movimento e incentivando amigos e colegas a também se alistarem.
Uma das ações é uma gincana digital voltada aos Núcleos de Cidadania do Adolescente (NUCAs), presentes em mais de 2.300 municípios. Os grupos que mais conseguirem aumentar, proporcionalmente, o número de jovens alistados e que produzirem os conteúdos mais criativos sobre o tema serão premiados com uma visita à sede do TSE em Brasília.
A campanha reflete uma aposta no protagonismo juvenil: não adianta falar para o adolescente sobre participação política, é preciso fazê-lo falar sobre isso com seus próprios pares.
Por que essa notícia interessa a quem faz o ENCCEJA?
O ENCCEJA avalia competências que vão muito além de conteúdos escolares tradicionais. Uma delas é a leitura crítica da realidade, ou seja, a capacidade de entender fatos do cotidiano e relacioná-los a questões mais amplas, como cidadania, democracia e desigualdade social.
Temas ligados à participação política e aos direitos do cidadão são recorrentes nas provas de Ciências Humanas e aparecem com frequência nas propostas de redação. Saber interpretar uma notícia como essa e construir argumentos a partir dela é exatamente o que a banca espera de você.
Além disso, entender por que adolescentes não se alistam exige um raciocínio sobre causas e consequências, o mesmo tipo de raciocínio cobrado em qualquer texto dissertativo-argumentativo.
Acompanhar notícias como essa é uma das formas mais eficientes de se preparar para o exame: você absorve conteúdo, exercita o pensamento crítico e ainda se mantém informado sobre o Brasil em que vive.
Como esse tema pode virar redação?
O ENCCEJA pede um texto dissertativo-argumentativo com proposta de intervenção. Esse tema pode aparecer com diferentes títulos de proposta. Veja alguns exemplos:
- Desengajamento político da juventude brasileira: cidadania e democracia
- Desafios para ampliar a participação democrática: política e direitos
- O papel da escola na formação do cidadão: educação e valores cívicos
- Desigualdade de acesso à informação política: mídias e exclusão
Em todas essas variações, os argumentos que você construir a partir dessa notícia poderão ser aproveitados e o dado do TSE serve como evidência concreta para embasar seu ponto de vista.
Comece a estudar para o Encceja com a gente!


Com a inscrição garantida, o próximo passo é se preparar para a prova de 23 de agosto. O Curso do Encceja oferece videoaulas, e-books e simulados com os conteúdos que mais caem no exame: tudo gratuito e acessível pelo celular.