Por que hoje é feriado? A história de Tiradentes e o que ela tem a ver com o Encceja

Entenda a história completa de Tiradentes e da Inconfidência Mineira com foco no que cai no Encceja e em sua redação.

Hoje, 21 de abril, é feriado nacional. Mas você sabe por quê?

A maioria das pessoas sabe que a data tem a ver com Tiradentes, um nome que aparece em escola, em placa de rua e em feriado de calendário desde criança. O que pouca gente sabe é que a história por trás desse feriado é muito mais complexa, mais política e mais interessante do que parece à primeira vista.

E, para quem está se preparando para o Encceja, essa história é repertório essencial.

A Inconfidência Mineira conecta temas que o Encceja cobra com frequência: colonialismo, impostos e desigualdade econômica, Iluminismo, formação da identidade nacional, construção de heróis pelo Estado e o conceito de liberdade como valor político. Tudo isso em um único episódio histórico, que você pode usar na redação, nas questões de Ciências Humanas e até para ancorar argumentos sobre cidadania e direitos.

Bora enter mais sobre essa história?

O contexto do Brasil em 1789

No final do século XVIII, o Brasil era colônia de Portugal há quase três séculos. A capitania de Minas Gerais era o principal polo de extração de ouro das Américas e, por isso, o centro das tensões fiscais entre a metrópole e os colonos.

O sistema colonial operava sob a lógica do pacto colonial: a colônia existia para gerar riqueza para a metrópole, com restrições à produção local, ao comércio independente e ao desenvolvimento econômico autônomo.

O sistema de impostos

Para garantir a transferência de riqueza para Portugal, a Coroa impunha tributos pesados sobre a mineração:

  • O quinto: taxa de 20% sobre todo o ouro extraído, paga diretamente à Coroa portuguesa.
  • A derrama: cobrança forçada dos tributos acumulados quando a arrecadação ficava abaixo da meta estipulada pela metrópole. A derrama era paga pela população de forma compulsória, independentemente de sua capacidade econômica.

A ameaça da derrama, somada ao esgotamento das minas e à queda na produção de ouro, gerou uma crise econômica intensa na capitania ao longo da década de 1780. Foi nesse cenário que surgiu a conspiração.

Quem foi Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier nasceu em 1746, na região de Minas Gerais. Exercia a função de alferes (uma das patentes mais baixas da hierarquia militar) e também atuava como dentista, atividade que lhe rendeu o apelido pelo qual ficou conhecido na história.

Seu perfil era distinto do restante dos conspiradores. Enquanto a maioria era composta por membros da elite intelectual e econômica, como padres, proprietários de terras, magistrados, militares de alta patente, Tiradentes circulava por diferentes camadas sociais e falava abertamente sobre os planos de independência. Esse comportamento menos cauteloso o tornou o elo mais vulnerável do grupo.

A Inconfidência Mineira (1789)

A Inconfidência Mineira, também chamada de Conjuração Mineira, foi uma conspiração organizada na capitania de Minas Gerais em 1789. O movimento articulava a independência da região e a criação de uma república, inspirado pelos ideais iluministas e pelo exemplo da Revolução Americana de 1776.

Composição do movimento

Os inconfidentes eram majoritariamente membros da elite colonial: proprietários de terras, comerciantes, padres, poetas e militares. Entre os nomes de destaque estão o poeta Cláudio Manuel da Costa, o padre Carlos Correia de Toledo e o poeta e advogado Tomás Antônio Gonzaga.

É importante registrar que a Inconfidência Mineira não questionava a escravidão: muitos de seus líderes eram proprietários de pessoas escravizadas. O movimento tinha caráter separatista e anticolonial, mas seus objetivos não incluíam transformações sociais profundas. Essa característica distingue a Inconfidência de um movimento popular (e onde você precisa prestar atenção!)

A delação e o fim da Conspiração

O movimento foi descoberto antes de qualquer ação concreta. Joaquim Silvério dos Reis, um dos conspiradores endividado com a Coroa, delatou o grupo ao governador em troca do perdão de suas dívidas. Os envolvidos foram presos, processados e punidos com penas que variaram entre exílio, degredo e confisco de bens.

Tiradentes foi o único condenado à morte. Nos depoimentos ao longo dos três anos de prisão, assumiu a responsabilidade pelo movimento, sem delatar os companheiros. Foi executado por enforcamento em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, seguido de esquartejamento (pena aplicada como punição exemplar e prática comum no Antigo Regime).

O Iluminismo e as influências externas

A Inconfidência Mineira teve como base ideológica o Iluminismo, movimento intelectual europeu dos séculos XVII e XVIII que defendia:

  • A razão como fundamento do conhecimento e da organização social
  • A liberdade individual como direito natural
  • A limitação do poder do Estado e a separação dos poderes
  • A igualdade entre os cidadãos perante a lei

Os principais filósofos iluministas, John Locke, Voltaire, Rousseau e Montesquieu, questionavam o absolutismo monárquico e influenciaram diretamente as revoluções do período. A elite colonial brasileira tinha acesso a essas ideias por meio dos estudos na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Dois eventos externos foram referências diretas para os inconfidentes:

  • Revolução Americana (1776): os Estados Unidos tornaram-se independentes da Inglaterra e estabeleceram uma república, um modelo concreto de ruptura colonial bem-sucedida.
  • Revolução Francesa (1789): ocorrida no mesmo ano da conspiração, reforçou os ideais de liberdade, igualdade e soberania popular, embora seus efeitos mais amplos tenham se desenvolvido posteriormente.

A construção de Tiradentes como herói nacional

Martírio de Tiradentes (1893), de Aurélio de Figueiredo.
Martírio de Tiradentes (1893), de Aurélio de Figueiredo. (Foto: Google Arts and Culture)

A transformação de Tiradentes em herói nacional trata-se de um processo político deliberado, iniciado após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.

O novo regime republicano necessitava de símbolos fundadores que legitimassem a ruptura com a monarquia e criassem uma identidade nacional coesa. Tiradentes reunia as características ideais para esse papel: havia sido condenado e executado pela Coroa portuguesa, assumira sozinho a responsabilidade pelo movimento e sua figura não estava associada ao Império que a República pretendia superar.

O governo provisório de Deodoro da Fonseca instituiu o 21 de abril como feriado nacional por meio do Decreto nº 155-B, de 14 de janeiro de 1890, ou seja, menos de dois meses após a Proclamação da República. Em 1965, pela Lei nº 4.897, Tiradentes foi declarado Patrono Cívico da Nação Brasileira.

A imagem construída

As representações visuais de Tiradentes produzidas no período republicano apresentavam traços deliberadamente semelhantes às imagens de Jesus Cristo: cabelos longos, barba, expressão serena. Não há registros confiáveis da aparência real de Tiradentes, a imagem que conhecemos foi construída posteriormente como instrumento de identificação popular e apelo ao sacrifício em nome de um ideal coletivo.

Esse processo de construção da figura do herói nacional é um exemplo do conceito de memória histórica seletiva: os Estados escolhem quais personagens e quais narrativas do passado serão destacados, em função dos valores que desejam consolidar no presente.

Exercício de aplicação

Escreva um parágrafo de desenvolvimento para um dos temas abaixo, utilizando a Inconfidência Mineira como argumento histórico. Aplique a estrutura: contextualização → fato → significado → conexão com o presente.

  • “Os desafios da construção de uma identidade nacional plural no Brasil”
  • “A relação entre tributação e cidadania ao longo da história brasileira”
  • “A persistência das desigualdades sociais como herança do período colonial”

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