Perfil do EJA: gravidez afasta uma em cada quatro mulheres da escola, aponta IBGE
Conheça o perfil das 1,3 milhão de mulheres que usam a EJA e o Encceja para concluir a educação básica e acessar melhores salários.


Amanhã é Dia das Mães. E provavelmente você vai ver muitas homenagens por aí. Mas tem uma realidade que raramente aparece nessas celebrações: no Brasil, milhões de mulheres tiveram a trajetória escolar interrompida pela maternidade e muitas delas ainda estão tentando retomá-la.
O Encceja e a EJA existem exatamente para esse público. E os dados mostram que esse perfil é cada vez mais predominante entre as pessoas que usam essas duas modalidades para fechar uma conta antiga com a escola.
Quem está na EJA hoje
O perfil de quem frequenta a Educação de Jovens e Adultos mudou bastante nas últimas décadas. A ideia de que a EJA é frequentada principalmente por pessoas mais velhas, buscando uma oportunidade que nunca tiveram na infância, já não corresponde à realidade. A média de idade dos estudantes da modalidade, segundo o Censo Escolar 2023, é de 27 anos: um número que reflete um público mais jovem, com histórico recente de abandono escolar e, frequentemente, com filhos para criar.
As mulheres são maioria: respondem por 51,9% das matrículas, o equivalente a 1,3 milhão de estudantes, contra 1,01 milhão de homens. Entre as que têm mais de 40 anos, a predominância feminina é ainda maior, chegando a 59,2% das matrículas nessa faixa etária.
No total, a EJA registrou 2,4 milhões de estudantes em 2024, segundo o Censo Escolar (número que vem caindo desde 2018), quando havia cerca de 3 milhões de matrículas. Mesmo com a queda, há hoje 68 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais fora da escola e sem a educação básica concluída, o que evidencia o tamanho do problema que a EJA e o Encceja precisam enfrentar.
Por que tantas mulheres saíram da escola
A PNAD Educação 2024, divulgada pelo IBGE, investigou os motivos que levaram jovens de 14 a 29 anos a abandonar os estudos ou nunca os ter iniciado. Entre os homens, a necessidade de trabalhar domina com clareza: 53,7% citam esse fator. Entre as mulheres, o cenário é mais diverso. O trabalho também aparece em primeiro lugar, mas com 25,2%. Logo atrás vem a gravidez, mencionada por 23,1% das mulheres. Os afazeres domésticos ainda aparecem como terceiro fator, citados por 9% delas.
Isso significa que, quando se somam gravidez e responsabilidades domésticas, mais de 30% das mulheres que saíram da escola o fizeram por razões diretamente ligadas à maternidade e ao cuidado com a família, fatores que praticamente não aparecem entre os homens. Recai sobre as mulheres a maior parte do trabalho de cuidado, e o sistema educacional raramente oferece as condições para que elas conciliem isso com os estudos.
O impacto aparece nos números de escolaridade. Entre as mães solo que tiveram o primeiro filho aos 15 anos ou antes, apenas 3% chegam ao ensino superior, segundo dados da FGV. Quanto mais cedo vem a gravidez, menor a chance de completar os estudos e menores as perspectivas no mercado de trabalho ao longo de toda a vida.
A situação das mães solo no Brasil
Em 2022, o Brasil tinha 11,3 milhões de mães solo responsáveis por seus domicílios, número que cresceu 17% em apenas uma década, passando de 9,6 milhões em 2012, segundo levantamento da FGV. Dessas, 72,4% vivem em domicílios compostos apenas por elas e seus filhos, sem parentes que possam dividir as responsabilidades.
O perfil racial é expressivo: 61% das mães solo são negras, sendo 47% pardas e 14% pretas. Mais da metade desse grupo (55%) tem, no máximo, o ensino médio incompleto. Menos de 14% chegou ao ensino superior.
As consequências no mercado de trabalho são diretas. A taxa de ocupação das mães solo é de 50,2%, bem abaixo dos 81% registrados entre pais com cônjuge. Quando conseguem emprego, 45% estão na informalidade, setor caracterizado por remunerações mais baixas e ausência de proteção social. A renda média dessas mulheres é cerca de 39% inferior à dos homens casados com filhos. E a escolaridade é um dos principais fatores que explicam essa diferença: sem diploma, o acesso a postos de trabalho formais e mais bem remunerados fica restrito.
O papel da creche nessa equação
Um dos principais obstáculos para que mães retomem os estudos é a falta de creche. Sem uma vaga garantida para deixar os filhos, trabalhar e estudar ao mesmo tempo se torna praticamente inviável para a maior parte dessas mulheres.
O déficit de vagas no Brasil ainda é grande: em 2024, 39% das crianças de 2 a 3 anos que não frequentavam creche estavam fora por falta de vaga ou ausência de unidade próxima, segundo o IBGE. No Norte, esse percentual chega a 46,8%; no Nordeste, a 42,2%.
Não é por acaso, portanto, que o INEP escolheu exatamente esse tema para a redação do Ensino Fundamental no Encceja 2025: “A importância das creches para a sociedade brasileira”. Para uma parcela significativa das candidatas que prestaram aquela prova, o tema descrevia diretamente a situação que as impediu de concluir os estudos anos antes.
A redação do Ensino Médio em 2025 foi sobre “Estratégias para enfrentar o vício em apostas na internet”. Nos anos anteriores, os temas foram saúde mental do trabalhador (2023) e combate às fake news (2024). O padrão do exame é consistente: temas sociais contemporâneos, com impacto direto na vida de quem faz a prova. Para quem vai prestar o Encceja 2026, vale treinar a redação com temas como desigualdade de renda, mercado de trabalho feminino, saúde pública e acesso à educação, todos com grande chance de aparecer.
Comece a estudar agora com o Curso do Encceja


O processo de inscrição é rápido e simples. Veja o passo a passo:
- Acesse o site: Entre em cursodoencceja.com.br pelo celular ou computador.
- Clique em “Quero me inscrever”: Preencha seu nome, e-mail e crie uma senha.
- Comece a estudar: Acesse as videoaulas, simulados e materiais de apoio imediatamente após o cadastro.
Em menos de cinco minutos você já estará dentro da plataforma, pronto para dar o primeiro passo rumo ao seu diploma.