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Os Elementos da Comunicação e as Funções da Linguagem

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Todo ato de comunicação, para que ocorra com sucesso, depende de vários fatores: quem fala (o emissor); com quem se fala (o receptor); o que se fala (o conteúdo, a mensagem); e como se fala (o meio e o código utilizados).

Estes são os elementos da comunicação. Veja agora na tabela para você compreender melhor cada um destes elementos?

Se você parar um minuto e pensar no seu dia a dia, você vai encontrar todos estes elementos nas suas formas de comunicação com as outras pessoas.

Pense, por exemplo, numa mensagem que você passou para outra pessoa utilizando o telefone celular. Todos estes elementos estão presentes ali.

E quando a comunicação dá problema?

Se um desses elementos falhar, a comunicação, pode não se realizar ou ficar comprometida – o que chamamos de “ruído na comunicação”.

Dica: observe a imagem acima, e se coloque na posição de quem fala, e perceba os elementos da comunicação que o emissor utiliza. Depois, coloque-se na posição de quem escuta, e faça o mesmo exercício.

Toda comunicação tem uma intenção

Os atos comunicativos têm sempre uma determinada intencionalidade, que pode ser mais ou menos consciente. São essas diferentes intenções que temos em mente, quando nos comunicamos.

Por exemplo, se a intenção da comunicação é convencer o destinatário, teremos a função conativa como característica daquele texto; ou se a intenção for informá-lo de lago, teremos a função referencial como característica.

Assim, dependendo da intenção da comunicação, pode ser, os textos – ou atos de comunicação – podem ser classificados segundo os critérios de intencionalidade de quem elabora a comunicação (o emissor).

Dessa forma, podemos encontrar em um texto (escrito, oral, verbal ou não verbal) as seguintes funções (ou intencionalidades):

As Funções da Linguagem

  • Função emotiva (ou expressiva) – quando a mensagem é centralizada no próprio emissor, revelando sua opinião, sua emoção. Nela prevalece a 1ª pessoa do singular, interjeições e exclamações. É a linguagem das biografias, memórias, poesias líricas e cartas de amor.
  • Função referencial (ou denotativa) – quando a mensagem é centralizada no referente, isto é, no conteúdo da mensagem. Nesse caso, o emissor procura oferecer informações da realidade de forma objetiva, direta, denotativa, prevalecendo a 3ª pessoa do singular.

A função denotativa está presente na linguagem usada nas notícias de jornal e livros científicos e propagandas que se dirigem diretamente ao consumidor (público-alvo).

Abaixo, um exemplo típico de linguagem denotativa – as notícias de jornal e os textos de divulgação de informações:

Leu o texto acima? Veja que ele transmite uma informação objetiva sobre a realidade. Dá prioridade aos dados concretos, fatos e circunstâncias, é a linguagem característica das notícias de jornal, dos discursos científicos, técnicos, didáticos, correspondências comerciais, qualquer exposição de conceitos.

  • Função apelativa (ou conativa) – quando a mensagem é centraliza no receptor; o emissor procura influenciar o comportamento do receptor. Como o emissor se dirige ao receptor, é comum o uso de tu e você (2ª pessoa) ou o nome da pessoa, além de uso de vocativos e do modo imperativo do verbo.

A função apelativa (ou conativa) é utilizada nos discursos, sermões e nas propagandas que se dirigem diretamente ao consumidor.

  • Função fática – quando a mensagem é centralizada no canal de comunicação, tendo como objetivo prolongar ou não o contato com o receptor, ou testar a eficiência do canal. Linguagem das falas telefônicas, saudações e similares.

Vamos pensar em uma cena comum: você entra em um elevador e há três pessoas. Então uma delas comenta sobre o tempo. As outras respondem. Não importa se está chovendo, se está calor ou frio demais. Importa é ter mantido o canal de comunicação aberto, com o objetivo de socialização e educação

Veja o quadrinho abaixo e perceba que a “conversa”, na verdade, não tem um conteúdo específico: são frases prontas apenas para manter e prolongar o contato. O comentário final do gato no último quadrinho cria o humor da tirinha:

Veja mais este exemplo abaixo: essas frases que usamos no dia a dia para manter a conversa, são formas de linguagem fática que tem o objetivo de “testar” o canal de comunicação.

  • Função poética – quando a mensagem é centralizada na forma da mensagem, revelando recursos imaginativos criados pelo emissor. A intenção aqui é trabalhar a forma como a mensagem é transmitida com a finalidade de passar prazer estético, além de outras funções tradicionais como emocionar, informar ou fazer você refletir.

Veja o exemplo da letra de música acima. A frase final “Eu vou indo correndo pegar meu lugar o futuro…E você?” traz um certo estranhamento, uma vez que, nesse contexto de rua, não se esperaria essa frase. Esse estranhamento proposital feito pelo autor sai do senso comum e “cria” uma linguagem figurada: isso é o efeito poético! (veja aula sobre o gênero “poema”: lá falamos disso e muito mais!)

Geralmente a função poética apresenta uma linguagem afetiva, sugestiva, conotativa e metafórica. Nesse tipo de texto, valorizam-se as palavras, suas combinações que saiam do lugar comum. É a linguagem figurada apresentada em obras literárias, letras de música, em algumas propagandas.

Mais um exemplo:

Poema “Pêndulo” de Augusto de campos

Nesse caso, o autor “brinca” com a forma e o conteúdo da mensagem, de tal modo que haja uma motivação visual para aquilo que está escrito. Esse tipo de poesia, que tenta aproximar o conteúdo da forma, é chamado de poesia concreta.

  • Função metalinguística – quando a mensagem é centralizada no código, usando a linguagem para falar dela mesma. A poesia que fala da poesia, da sua função e do poeta, um texto que comenta outro texto. Principalmente os dicionários são repositórios de metalinguagem, pois têm a função de ensinar o código com o qual você vai escrever.

No exemplo abaixo, note que o pintor retrata a si mesmo como uma “autopintura”, ou seja, ele está enfatizando o código que, nesse caso, é a linguagem da pintura. No caso do código escrito, um dicionário é um bom exemplo de linguagem metalinguística, já que esse tipo de texto explica o próprio código.

VALE LEMBRAR: Em um mesmo texto podem aparecer várias funções da linguagem. O importante é saber qual a função predominante no texto, para, então, defini-lo.

Para finalizar, é importante ter em mente que saber a função que predomina em um texto é pergunta super comum no Encceja. Além disso, mesmo que não ocorra a pergunta diretamente, saber qual a função que predomina é fundamental para você entender o tipo de texto que você está lendo para poder interpretá-lo corretamente.

Agora está na hora de treinar tudo isso fazendo as questões dos exercícios!

Simulado